Apesar da redução nas tarifas de energia de distribuidoras de São Paulo e Goiás, anunciadas ontem, a seca no Nordeste pode levar a um aumento no custo da energia no mercado a partir de novembro. Isso porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai começar a usar o volume efetivo de água que chega nos reservatórios da Bacia do Rio São Francisco para calcular o custo de energia no mercado à vista ambiente onde atuam indústrias e grandes consumidores. Até agora, os modelos de preços não refletiam as mudanças na operação feitas por causa da situação hidrológica.

De acordo com despacho, publicado ontem no Diário Oficial da União, o programa será atualizado de acordo com as recomendações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o que pode elevar o custo da energia na região, disse o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. "Agora, o modelo vai representar de maneira realista a defluência ( quanto passa de água no reservatório). Isso tem efeito de elevar o PLD (preço do mercado à vista), sim." Segundo ele, a mudança vai aperfeiçoar o modelo e já foi feita em outros momentos no passado. "Por essa razão, isoladamente, o PLD tende a aumentar."

O impacto, no entanto, deve chegar ao bolso de todos os consumidores brasileiros. Isso porque, embora a liberação de água dos reservatórios das hidrelétricas da região esteja inferior aos valores normalmente programados, esse cenário ainda não está refletido nos programas que dão base para o cálculo do PLD, que baliza o sistema de bandeiras. O PLD é um dos principais itens que define o sistema de bandeiras tarifárias. Quando o custo da energia no mercado à vista sobe além de R$ 211 por megawatt hora (MWh), é acionada a bandeira amarela, que adiciona R$ 1,50 a cada 100 quilowatt hora (kWh) de consumo.

Quando esse preço supera os R$ 422, vigora a bandeira vermelha, que adiciona R$ 3,00 a cada 100 kWh. Se todo o parque de usinas térmicas é ligado, é acionado o segundo patamar da bandeira vermelha, que acrescenta um custo extra de R$ 4,50 a cada 100 kWh. Atualmente, o PLD está em 193,41/MWh no conjunto das regiões, e a bandeira está verde, sem cobrança extra.

Menos água. Segundo Rufino, com vazões menores, a geração de energia dessashidrelétricas será reduzida no submercado Nordeste e terá de ser compensada por usinas localizadas em outros submercados, como o Sudeste/Centro-Oeste, Norte ou Sul. Embora não haja risco de faltar energia, a preocupação está no abastecimento de água na região. "Não adianta secar os reservatórios, tem de regular o uso", explicou Rufino.

A decisão envolve as usinas de Sobradinho, Luiz Gonzaga, Complexo Paulo Afonso/Moxotó e Xingó. Nos próximos dois meses e ao longo de 2017, o modelo de médio prazo vai considerar uma vazão de 800 metros cúbicos para as usinas. Para a usina de Três Marias, a vazão defluente (água que passa pela turbina e gera energia e a que não gera energia) fixa deverá ser definida pelo grupo gestor de recursos hídricos da bacia do Rio São Francisco. Caso o grupo não estabeleça um valor, será considerada a vazão mínima de 420 metros cúbicos por segundo. De acordo com a nota técnica do ONS, a seca que atinge a bacia do Rio São Francisco pode levar a bacia ao colapso.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

Notícias

  • Aneel autoriza repasse de R$ 105 milhões da RGR para distribuidoras designadas 08/02/2018 14:45

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o repasse de R$ 105,4 milhões do Fundo Reserva Global de Reversão (RGR), a título de empréstimo, às concessionárias designadas para a prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica.Os valores vão beneficiar os consumidores atendidos pelas empresas Amazonas Energia D (R$ 44,3 milhões), Boa Vista Energia (R$ 23,7 milhões), Cepisa (R$ 9,3 milhões), Ceron (R$ 15,5 milhões) e CEA (R$ 12,4 milhões), segundo despacho publicado...

    Leia Mais...

mapa iconMAPA DO SITE - clique aqui para abrir

mapa iconMAPA DO SITE - clique aqui para fechar